Cobrança B2B

9,1 milhões de CNPJs inadimplentes

Por Rafael Daud6 min de leitura

Em junho de 2026 o Brasil bateu recorde com mais de 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes e R$ 232,9 bilhões em dívidas, alta de 16,67% em um ano. A dívida média por CNPJ é de R$ 25.508,96, quase quatro vezes a de uma pessoa física, com 7,3 contas em atraso por empresa. É um mercado com ticket maior e menos concorrência — desde que a assessoria consiga captar o credor, e não só cobrar o devedor.

9,1 milhões de CNPJs inadimplentes

O mercado de cobrança brasileiro passou a última década se especializando em pessoa física. Faz sentido: são 84 milhões de inadimplentes, o volume é gigantesco e as réguas estão prontas. O problema é que quase todo mundo foi para o mesmo lugar — e o lado da mesa que cresceu mais rápido continua com menos gente disputando.

Quantas empresas estão inadimplentes no Brasil?

Em junho de 2026, o Brasil bateu o recorde da série histórica da Serasa Experian: mais de 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes, com R$ 232,9 bilhões em dívidas acumuladas. É um avanço de 16,67% sobre o mesmo mês de 2025, e o maior número desde o início da série, em 2016.

O detalhe que muda a conversa comercial não é o total. É a composição.

Inadimplência PF × PJ em 2026

IndicadorPessoa físicaPessoa jurídica
Devedores≈ 84 milhões9,1 milhões de CNPJs
Dívida média por devedorR$ 6.598R$ 25.509
Contas em atraso por devedor≈ 47,3
Ticket médio por dívida≈ R$ 1.650R$ 3.516
Volume total332 milhões de dívidasR$ 232,9 bilhões

Fonte: Serasa Experian, 2026. O ticket médio de pessoa física é uma derivação da dívida média pelo número aproximado de contas.

A dívida média de um CNPJ é quase quatro vezes maior que a de uma pessoa física. E cada CNPJ carrega 7,3 contas em atraso, contra cerca de 4 do consumidor. Ou seja: mais valor por devedor e mais pontos de recuperação por relacionamento.

Por que a maioria das assessorias ignora o B2B?

Não é falta de interesse. São três barreiras operacionais reais:

  • O devedor tem estrutura. Uma empresa inadimplente tem contador, jurídico e caixa organizado. A conversa é mais técnica que a de recuperação de crédito ao consumidor.
  • O ciclo é mais longo. Não se resolve em uma ligação; envolve acordo, garantia e às vezes renegociação de contrato de fornecimento.
  • A carteira é mais difícil de conseguir. Grandes credores B2B fazem concorrência formal, e o acesso costuma depender de relacionamento.

A terceira barreira é a que interessa aqui, porque é a única que se resolve com canal de aquisição.

Quem é o cliente de uma assessoria de cobrança B2B?

Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas. O devedor é a empresa inadimplente. O cliente é o credor — quem tem a carteira vencida e precisa recuperar. É para o credor que a captação precisa falar.

Perfil de credorTipo de carteiraPor que contrata
Distribuidoras e atacadistasDuplicatas vencidas de lojistasVolume alto, ticket médio, prazo curto de giro
Indústrias com venda a prazoFornecimento faturadoRelacionamento comercial em risco — precisa recuperar sem perder o cliente
Provedores e telecomMensalidade B2B em atrasoReceita recorrente com churn silencioso
Locadoras e serviços recorrentesContratos com parcelas vencidasAtivo imobilizado ou serviço já entregue
Cooperativas e fintechs de créditoOperações PJ vencidasExigência regulatória de recuperação e provisionamento

Cada um desses perfis tem uma dor diferente, e é por isso que campanha genérica de "recuperamos seu crédito" não funciona: o distribuidor quer velocidade, a indústria quer preservar o relacionamento, o provedor quer reduzir churn.

O que muda na captação quando o alvo é o credor

Anunciar cobrança B2B tem uma particularidade: quem preenche o formulário quase nunca é quem decide. Costuma ser o financeiro ou o analista de crédito, e a assinatura fica com o sócio ou o diretor. Se a qualificação não captura isso, o comercial descobre depois de três reuniões.

Os quatro critérios que separam credor real de curioso:

  1. Tamanho da carteira vencida. É o equivalente ao volume em qualquer operação B2B — define se o contrato paga o custo de aquisição.
  2. Idade média da dívida. Carteira de 30 dias e carteira de 3 anos são produtos diferentes, com taxas de sucesso e honorários diferentes.
  3. Se já trabalha com assessoria. Troca de fornecedor é ciclo curto; primeira terceirização é ciclo de educação.
  4. Papel do contato. Financeiro, controladoria, sócio — muda quem precisa entrar na conversa e quando.

É a mesma lógica que descrevemos no artigo sobre otimizar campanha para o evento errado: enquanto qualquer formulário contar como conversão, a plataforma vai continuar buscando quem preenche, não quem contrata.

O tamanho real da oportunidade

Um número ajuda a dimensionar. Se apenas 1% dos 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes tem carteira em algum credor que ainda não terceirizou a cobrança, são 91 mil operações potenciais. Com a dívida média de R$ 25.509 por CNPJ, isso representa mais de R$ 2,3 bilhões em crédito vencido circulando sem assessoria dedicada.

Esse cálculo é uma projeção ilustrativa a partir dos dados da Serasa, não uma medição de mercado — serve para mostrar ordem de grandeza, não para planejar meta.

Por onde começar ainda este mês

  1. Escolha um perfil de credor, não "empresas em geral". Distribuidora de material de construção e clínica com plano de saúde empresarial não respondem ao mesmo anúncio.
  2. Coloque tamanho de carteira no formulário. É o campo que decide se vale a reunião.
  3. Separe primeira terceirização de troca de fornecedor. São duas jornadas comerciais distintas e merecem cadências distintas.
  4. Meça custo por contrato de carteira, não por lead. Em cobrança o ticket varia demais com o tamanho da carteira; CPL não informa nada.

Perguntas frequentes

Quantas empresas estão inadimplentes no Brasil em 2026?

Mais de 9,1 milhões de CNPJs, com R$ 232,9 bilhões em dívidas acumuladas em junho de 2026 — recorde da série histórica da Serasa Experian iniciada em 2016 e alta de 16,67% sobre o mesmo mês de 2025. A dívida média por CNPJ é de R$ 25.508,96, com 7,3 contas em atraso por empresa.

Qual a diferença entre cobrança B2B e cobrança de pessoa física?

Além do ticket — a dívida média de um CNPJ é quase quatro vezes a de uma pessoa física — mudam o interlocutor, o ciclo e o objetivo. Na cobrança B2B o devedor tem estrutura financeira e jurídica, a negociação é técnica e, em muitos casos, o credor quer recuperar o valor sem romper a relação comercial de fornecimento.

Como uma assessoria de cobrança consegue carteiras novas?

Tradicionalmente por indicação e concorrência formal, o que limita o crescimento ao relacionamento do sócio. A alternativa é um canal próprio de aquisição que fale com o credor — distribuidoras, indústrias, provedores, locadoras e fintechs — qualificando por tamanho da carteira vencida, idade média da dívida, existência de assessoria atual e papel do contato na decisão.

Qual o ticket médio de uma dívida empresarial no Brasil?

R$ 3.515,77 por dívida, segundo a Serasa Experian em 2026, com cada CNPJ inadimplente acumulando 7,3 contas em atraso e uma dívida total média de R$ 25.508,96. No caso das pessoas físicas, a dívida média por consumidor é de R$ 6.598,13.

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